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Gestão8 de outubro de 20265 min de leitura

Como precificar produtos e serviços sem ter prejuízo: guia da margem de contribuição

Aprenda a calcular o preço de venda considerando impostos, taxas e custos fixos, com exemplo prático em reais, para vender mais e ainda sobrar lucro.

Boa parte das pequenas empresas que fecham as portas não tem problema de vendas, tem problema de preço. O dono vende bastante, mas no fim do mês o dinheiro não sobra. Na maioria das vezes, o motivo é simples: o preço foi definido olhando o concorrente ou "no chute", sem considerar tudo o que o negócio realmente gasta para entregar aquele produto ou serviço.

Neste guia, você vai aprender uma forma prática de calcular o preço de venda usando a margem de contribuição, com um exemplo em reais que você pode copiar para a sua planilha hoje mesmo.

Por que olhar só para o preço do concorrente é perigoso

Copiar o preço de quem está ao lado parece seguro, mas o concorrente pode ter custos menores, comprar em maior volume, estar no Simples Nacional com outra faixa de imposto ou simplesmente estar vendendo no prejuízo sem perceber. Você herda o problema dele sem herdar as vantagens.

O preço correto nasce de dentro da sua empresa: quanto custa produzir ou entregar, quanto você paga de imposto, taxa de cartão, comissão e frete, e quanto precisa sobrar para pagar as contas fixas e ainda gerar lucro. O mercado diz até onde você pode ir; o seu custo diz de onde você não pode descer.

Os custos que quase todo mundo esquece

Além do custo do produto ou do material, entram no cálculo: impostos sobre a venda, taxa da maquininha ou do Pix, comissão de vendedores ou de marketplaces, embalagem, frete grátis oferecido ao cliente e perdas. Esses itens são chamados de custos e despesas variáveis, porque crescem junto com as vendas.

Já os custos fixos são aqueles que existem mesmo se você não vender nada: aluguel, salários, contador, internet, sistema, energia e o seu próprio pró-labore. Quem não inclui o próprio salário na conta está, na prática, trabalhando de graça.

A fórmula da margem de contribuição, passo a passo

A margem de contribuição é o que sobra de cada venda depois de pagar os custos e despesas variáveis. Essa sobra serve primeiro para cobrir os custos fixos e, depois disso, vira lucro. A fórmula de preço mais usada é: preço de venda = custo variável do produto ÷ (1 − soma dos percentuais variáveis − margem desejada).

Exemplo prático: um produto custa R$ 40 para ser comprado ou produzido. Você paga 6% de imposto, 3% de taxa de cartão e 6% de comissão, somando 15%. Quer que 25% do preço seja margem de contribuição. A conta fica: 40 ÷ (1 − 0,15 − 0,25) = 40 ÷ 0,60 = R$ 66,67. Se você tivesse usado o famoso "custo mais 50%", venderia a R$ 60 e a margem real cairia para 15%, bem abaixo do planejado.

Para serviços, o raciocínio é parecido. Calcule o valor da sua hora dividindo todos os custos fixos mensais, incluindo o seu salário desejado, pelas horas realmente vendáveis no mês (e não as 160 horas teóricas, já que reuniões, deslocamento e administração também consomem tempo). Depois some os custos variáveis do serviço e aplique a mesma fórmula.

Como reajustar preços sem perder clientes

Reajustar é necessário: custos sobem todos os anos e preço parado significa lucro encolhendo. Faça reajustes pequenos e regulares, em vez de um aumento grande depois de anos, avise com antecedência e deixe claro o valor que o cliente recebe. Para clientes antigos, uma boa tática é manter a condição por um período curto e oferecer um benefício extra.

Outra dica é testar. Aumente o preço de um item ou plano e acompanhe as vendas por algumas semanas. Muitos empresários descobrem que o cliente que realmente valoriza o serviço quase não reclama, e que o cliente que só procurava o menor preço dava pouco retorno de qualquer forma.

Preço certo também depende de atrair o cliente certo

Mesmo com a conta perfeita, um preço saudável só funciona se chegarem ao seu negócio pessoas dispostas a pagar por ele. Por isso, revise também de onde vêm seus clientes: anúncios que atraem curiosos em busca de desconto derrubam a margem, enquanto uma comunicação bem direcionada traz quem valoriza qualidade, prazo e atendimento. Defina um preço com base em números, acompanhe a margem todo mês e ajuste sempre que os custos mudarem.

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